sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Da nossa história…(3b) PERCURSORES DO ESCOTISMO em Portugal





OS GRUPOS FUNDADORES

O SEGUNDO GRUPO

A presença nas ruas de Lisboa dos rapazes do Primeiro Grupo e, depois, a valiosa e brilhante campanha de propa-ganda do Scouting promovida pelo jornal “O SÉCULO”, cria-ram um ambiente propício à fundação de novas unidades.
Entretanto, chegara já a Lisboa o tenente Álvaro de Melo Machado, que em Macau fundara um grupo de scouts e, segundo as suas palavras se entusiasmara pelo escotismo, por considerar que se tratava de “um admirável processo de educação da juventude” e se convencera de que “através dele seria possível modificar a mentalidade da gente portuguesa, se pudesse conseguir que muitos milhares de rapazes se filiassem nos grupos que viessem a organizar-se”.

Assim, segundo o relato do escoteiro chefe Abílio dos Santos, que veio a substituir Melo Machado quando este partiu de novo (para Moçambique, onde viria a criar novo grupo - o n. 10) e de António Xavier de Brito, que foi guia da patrulha Cão, ambos escoteiros da primeira hora no Segundo Grupo…
Numa noite de Outubro de 1912, a Sociedade de Instru-ção Militar Preparatória n. 2, com sede na Trav. do Guarda-Mor, no velho bairro da Esperança, abriu as suas portas à rapaziada, que encheu completamente uma das suas salas, entusiasmada com a ideia de poder praticar a vida saudável e cheia de aventura dos boy scouts.
Quem estava ali para seleccionar os rapazes e fazer a sua inscrição, era exactamente o jovem oficial de marinha que regressara de Macau. Parece que havia também a colaboração dos irmãos Simões, grandes nadadores na época, que iriam ser instrutores.
Melo Machado, nessa mesma noite, formou as patrulhas Águia, Cão, Gato e Pato. Só da Gato temos a constituição completa: Abílio dos Santos, guia; Nuno de Zea Bermudes, sub-guia; Américo Salvador da Costa, José de Meneses, Manuel de Sousa Duarte Borrego e Mário Florindo. Xavier de Brito foi o guia da Cão.
Em 3 de Novembro de 1912, o Segundo Grupo fez a sua primeira apresentação num exercício realizado no Campo Grande e, a partir daí, as actividades sucederam-se, até que chegou o momento da sua inauguração oficial. Esta realizou-se no dia de Natal, no Coliseu de Lisboa (na Rua da Palma) a abarrotar de público, aproveitando uma festa promovida pela Loja Maçónica Madrugada. O dia começou com alvorada por um terno de corneteiros e saudação à Bandeira Nacional pelos scouts. Durante a festa de Natal no Coliseu, os scouts fizeram exibições, prestaram compromisso de honra e distribuíram bolos e brindes às crianças presentes.
Quando a sede de que o grupo dispunha na Esperança se tornou insuficiente, perante o desenvolvimento que o grupo atingia, este mudou para a Academia dos Estudos Livres, que era nessa altura na Rua da Paz.

Mas por força dessa mudança (já na existência da A.E.P.), o Grupo foi forçado a tomar o nº. 6, uma vez que a Sociedade de Instrução Militar Preparatória quis manter o direito ao nº. 2, no intuito de ali organizar nova unidade, o que nunca veio a acontecer.
Só em 1915 o grupo retomou o nº. 2, já então instalado no palacete da Rua da Emenda n. 53, para onde a Academia de Estudos Livres entretanto se mudara. Era, então, seu escoteiro chefe Abílio dos Santos, porque Melo Machado fora mandado para Moçambique, como foi dito anteriormente.

Em Dezembro de 1920, o Grupo nº. 2 sofreu uma curiosa metamorfose; aparece como “Corpo de Escoteiros da Cruzada das Mulheres Portuguesas”.
Possuía um Conselho Geral, com a seguinte constituição:
Presidente: Dr. Alfredo Tovar de Lemos
Vice-presidente: D. Isabel Grau Tovar de Lemos
Vice-presidente: Cap.Frag. João Manuel de Carvalho
Comissário geral: Franklin António de Oliveira
Secretário-geral: D. Ana de Castro Osório
Secretário auxiliar: Alferes José Bernardo
Tesoureiro: Carlos Azinhais
Eram vogais: José Joaquim Oliveira, Jorge Fernandes e José Nicolau Homem Belino.
Tinha, ainda, como damas protectoras, as senhoras D. Maria Isabel da Conceição e, como representantes da referida Cruzada, D. Júlia Leal da Câmara e D. Maria Felizarda Coelho.
Aproveitando a confusão que então grassava nas estruturas da AEP, este Corpo pretendeu criar uma orga-nização, como se de uma associação se tratasse, embora continuando filiado na A.E.P.
Constituiu assim a ALA DE LISBOA, tendo como escoteiro chefe Rolando Taveira Garcia. A ALA tinha as seguintes unidades:
1º Grupo de Escoteiras – Rua do Benformoso, 226, chefiado por D. Judite Franco
1ª Alcateia de Lobitos – Calçada dos Caetanos, 48, dirigida por Jaime Pires Gomes
1º Grupo de Escoteiros – Instituto dos Mutilados de Guerra – Arroios, chefiado por Artur Ferreira do Carmo
2º Grupo de Escoteiros – Calçada dos Caetanos, 48, chefiado por António Serra
3º Grupo de Escoteiros – Ministério dos Negócios Estrangeiros – Necessidades, chefiado por Álvaro Lima
4º Grupo de Escoteiros – Escola de Veiga Beirão, chefiado por Luís Grau Tovar de Lemos
5º Grupo de escoteiros – Rua do Meio à Lapa, 85, chefiado por Francisco Fernandes.
Em Agosto de 1921, as unidades de escoteiros acima relacionadas passaram a designar-se pelas letras A a E, certamente para ultrapassar objecções postas pela A.E.P.
Dos chefes daquelas unidades, vieram a distinguir-se Luís Grau Tovar de Lemos, como chefe do Grupo nº. 2 da A.E.P., e Artur Ferreira do Carmo, que veio a ser chefe do Grupo nº. 5 da A.E.P. (no qual o referido 1º grupo se inte-grou), instalado na Escola Normal, na Rua 1º de Maio e do qual foi primeiro chefe António Pereira Coimbra.
Mais tarde, cerca de 1925, o Grupo nº. 2 mudou a sua sede para a Escola Comercial de Rodrigues Sampaio, na Calçada do Combro e Luís Grau Tovar de Lemos seria por muitos anos o seu escoteiro chefe, período durante o qual se tornou numa unidade com grande efectivo e de muita actividade, isto até 1936, data em que o Grupo foi forçado a abandonar a sede que possuía no edifício daquela Escola, na Travessa do Judeu, em consequência de se ir instalar ali a recém nascida Mocidade Portuguesa.

O Grupo n. 2 da AEP manteve-se sempre em actividade, ainda que sofrendo as consequências das muitas mudanças de local da sua sede, a que se viu obrigado, por força das circunstâncias.

1 comentário:

César Avilez disse...

Trabalhei muito para que a sede actual do 2º Grupo, fosse uma realidade, era então sub-guia da patrulha cão, eu O Jão Madeira Leitão, a Becas o Pruças, o Espirito Santo, que era Guia da Patrulha cão, e Tinhamos um Homem das Arábias que dava pelo nome de Chefe Madeira Leitão, que fizemos das tripas coração para que a sede fosse uma realidade, depois fui cumprir o Serviço Militar de onde regressei 10 anos mais tarde, mas sempre que passo na Calçada da Ajuda, deixo cair uma lágrima, são as saudades, os meus 68 anos já não dão para grande coisa, mas sigo com atenção todos os passos do 2º Grupo.
Bem Hajam e lutem por uma vida melhor, o Escuteiro é Escuteiro até Morrer. Grande Abraço a Todos.